A Profanação e a Purificação do Santuário TerrestreImprimir
O Livro de Daniel e as Profecias de Deus (Parte VIII)
I – INTRODUÇÃO

O profeta Daniel teve esta visão em 551 a.C., no terceiro ano do reinado de Belsazar, rei de Babilônia, cerca de dois anos após a visão de Daniel 7. Em visão ele foi transportado para o futuro, ao período do Império Medo-Persa que até então ainda não havia assumido a liderança mundial. Deus estava preocupado em revelar ao profeta Daniel os fatos futuros que atingiriam o Seu povo. Sempre que tragédias de relevância viessem a ocorrer com o povo de Deus, Ele revelaria com antecedência esses acontecimentos através os Seus profetas. É o que diz a Palavra de Deus: “Certamente o Senhor Deus não fará coisa alguma sem ter revelado o Seu segredo aos Seus servos, os profetas.”Amós 3:7. Será que a profanação ocorrida ao Santuário e o terrível massacre de dezenas de milhares de judeus, ainda durante o Império Grego, não foram previstos e anunciados por Deus ao Seu povo? Será que a profecia de Daniel 8 não teria sido o aviso de Deus a essa tragédia que se abateu sobre Seu Santuário terrestre e Seu povo entre 168 e 165 a.C.? Esta conclusão é muito lógica, pois, se o alvo da profanação foi o santuário terrestre, obviamente o mesmo santuário terrestre teria que ser purificado. Confira você mesmo o espetacular cumprimento desta profecia dada por Deus.

II – A VISÃO DO CARNEIRO, BODE E DE SEUS CHIFRES

No capítulo 8 de Daniel, duas das potências mundiais foram representadas por animais usados no ritual do santuário terrestre:

a) MEDO-PERSA = CARNEIRO
“Levantei os olhos, e olhei, e eis que estava em pé diante do rio um carneiro, que tinha dois chifres; e os dois chifres eram altos; mas um era mais alto do que o outro, e o mais alto subiu por último. Vi que o carneiro dava marradas para o ocidente, e para o norte e para o sul, nenhum dos animais lhe podia resistir, nem havia quem pudesse livrar-se do seu poder; ele porém, fazia conforme a sua vontade, e se engrandecia. ...Aquele carneiro que viste, o qual tinha dois chifres, são estes os reis da Média e da Pérsia.” Daniel 8:3,4 e 20.

b) GRÉCIA = BODE
E estando eu considerando, eis que um bode vinha do ocidente sobre a face de toda a terra, mas sem tocar no chão; e aquele bode tinha um chifre notável entre os olhos. E dirigiu-se ao carneiro que tinha os dois chifres, ao qual eu tinha visto em pé diante do rio, e correu contra ele no furor da sua força. Vi-o chegar perto do carneiro, e, movido de cólera contra ele, o feriu, e lhe quebrou os dois chifres; não havia força no carneiro para lhe resistir; e o bode o lançou por terra, e o pisou aos pés; também não havia que pudesse livrar o carneiro do seu poder. ...Mas o bode peludo é o rei da Grécia; e o grande chifre que tinha entre os olhos é o primeiro rei.” Daniel:8:5-7 e 21.

O objetivo de Deus era chamar a atenção que o assunto envolvia o santuário terrestre. O carneiro com dois chifres, o menor dos quais veio a tornar-se o maior, é identificado especificamente com os Medos e Persas. O bode de um chifre que disparou velozmente sobre a terra e aniquilou o carneiro, é identificado como sendo a Grécia. Seu chifre único é definido em Daniel 8:22 como o “primeiro rei”, neste caso identificado como sendo Alexandre, o Grande, que morreu em 323 a.C., com a idade de 32 anos. Após a morte de Alexandre, o Grande, o império greco-macedônico dividiu-se em quatro, após a batalha de Ipso em 301 a.C., passando a ser liderado por 4 generais, a saber: Cassandro-ficou com a Macedônia; Lisímaco-ficou com a Ásia Menor e a Trácia; Seleuco-ficou com o norte da Síria, Mesopotânia e Oriente (desta dinastia saiu Antíoco Epifanes IV, o pequeno chifre de Daniel 8); Ptolomeu–ficou com o Egito, a Palestina e sul da Síria.

III – O PEQUENO CHIFRE DE DANIEL 8

A Bíblia é muito clara ao afirmar que o chifre pequeno de Daniel 8 saiu de um dos quatro chifres do bode, ou seja, de uma das quatro dinastias acima mencionadas, cujo animal é representado pela Grécia:

“O bode, pois, se engrandeceu sobremaneira; e estando ele forte, aquele grande chifre foi quebrado, e no seu lugar outros quatro também notáveis nasceram para os quatro ventos do céu. Ainda de um deles saiu um chifre pequeno, o qual cresceu muito para o sul, e para o oriente, e para a terra formosa.” Daniel 8:8 e 9.

Esta visão foi em seguida interpretada ao profeta Daniel pelo anjo Gabriel:

“O ter sido quebrado, levantando-se quatro em lugar dele, significa que quatro reinos se levantarão da mesma nação, porém não com a força dele. Mas, no fim do reinado deles, quando os transgressores tiverem chegado ao cúmulo, levantar-se-á um rei, feroz de semblante e que entende enigmas.” Daniel 8:22 e 23.

Entende-se que o chifre pequeno de Daniel 8 surgiria de uma das divisões do império grego, ao fim do reinado destes: “Mas, no fim do reinado deles,... levantar-se-á um rei, feroz de semblante e que entende enigmas.” Daniel 8:23.

A passagem bíblica refere-se aos últimos tempos das quatro divisões do império grego, justo antes de serem conquistadas por Roma. O Império Grego dividiu-se em quatro após a batalha de Ipso no ano 301 AC. A queda destas divisões ocorreu na seguinte seqüência: O reino da Macedônia caiu no ano 168 AC, o de Cassandro no ano 146 AC, o dos Selêucidas no ano 65 AC e do Ptolomeu no ano 30 AC.

Considerando que o reino quádruplo deixou de existir quando caiu a Macedônia no ano 168 AC, a profecia requer que o chifre pequeno apareça pouco antes desse ano. De acordo com a história, o império grego dominou o mundo de 331 AC a 168 AC. Como cumprimento dessa profecia, (“...no fim do reinado deles”) de 175 AC até 164 AC, levantou-se um rei feroz e sanguinário: Antíoco Epifânio IV da divisão dos Selêucidas.

Este chifre não é o mesmo que saiu da cabeça do animal terrível e espantoso, apresentado no capítulo 7 de Daniel. O chifre pequeno de Daniel 8 também não saiu de um dos quatro ventos, isto porque, chifre nenhum sai do vento. Todo chifre sai da cabeça de um animal. A história nos confirma que o santuário terrestre foi agredido e profanado por Antíoco Epifanes IV, no final do Império Grego, no período de 168 a 165 a.C., sendo depois purificado por Judas Macabeus.

O historiador Flávio Josefo, no livro “História dos Hebreus”, faz uma afirmação muito convicta sobre esta profanação do templo judaico pelas mãos de Antíoco Epifanes IV: “...como o profeta Daniel tinha predito, ...dizendo clara e distintamente que o templo seria profanado pelos macedônios.” História dos Hebreus, p. 291. Como Flávio Josefo viveu na época dos apóstolos, obviamente ele sabia o que estava declarando.

Há também muitos detalhes registrados nos livros históricos escritos por Judas Macabeus, que liderou a vitoriosa revolta dos macabeus contra Antíoco Epifanes IV, líder da dinastia dos selêucidas. Embora os livros escritos por Judas Macabeus (I Macabeus e II Macabeus) sejam apócrifos, isto é, não aceitos como inspirados, os historiadores, no entanto, os têm usado como documentos de grande valia para resgatar a história judaica.

Todas as ações de Antíoco Epifanes IV ajustam-se perfeitamente à profecia de Daniel 8:

a) Daniel 8:9 – “Ainda de um deles (de um dos 4 chifres) saiu um chifre pequeno, o qual cresceu muito para o sul, e para o oriente, e para a terra formosa.” A história nos confirma que Antíoco Epifanes IV foi o oitavo governador da dinastia dos Selêucidas. Saiu portanto de um dos quatro chifres do bode peludo (Grécia). Ele reinou de 175 a 164 a.C. A Bíblia diz que esse rei cresceria muito para o sul. Esta profecia foi plenamente cumprida baseada nas palavras do historiador Flávio Josefo: “A profunda paz que Antíoco gozava e o desprezo que ele tinha pela pouca idade dos filhos de Ptolomeu, ...fê-lo conceber a idéia de conquistar o Egito. Declarou guerra, e entrou no país com um poderoso exército.” História dos Hebreus, p. 286. Egito situa-se ao sul, exatamente como previu o profeta Daniel. Como a dinastia dos Selêucidas já tinha domínio do oriente, desde a divisão do império greco-macedônico, conforme previsto pela profecia bíblica, as Sagradas Escrituras dizem ainda que esse rei cresceria para a “terra formosa” (Jerusalém). Foi exatamente o que aconteceu. A esse respeito escreveu Flávio Josefo: “No vigésimo quinto dia do mês, os hebreus chamam de Quisleu, ...ele (Antíoco Epifanes IV) voltou a Jerusalém.” História dos Hebreus, p. 287.

b) Daniel 8:10 e 11 – “E se engrandeceu até o exército do céu; e lançou por terra algumas das estrelas desse exército, e as pisou. Sim, ele se engrandeceu até o príncipe do exército;...” Esta passagem bíblica não está falando de seres celestiais, porque estes não poderiam ser atingidos e lançados por terra por nenhum império humano, nem sequer por Roma. Os termos usados são simbólicos e a própria Bíblia os interpreta:

“Estrelas” - Os filhos de Jacó são descritos no sonho de José como “estrelas”. (ver Gênesis 37:9); As mais terríveis atrocidades foram cometidas contra o povo de Deus. Antíoco Epifanes IV, “depois de saquear a cidade de Jerusalém, mandou matar uma parte dos seus habitantes.” História dos Hebreus, p 287.

“Exército do Céu” – Os governantes judeus são chamados de “exércitos dos céus no alto”. (ver Isaías 24:21);

“Príncipe do exército” – Este termo tem o significado de cabeça, chefe, administrador, etc. Neste caso seria o sumo sacerdote do templo judaico. Em Atos 23:4 e 5, o apóstolo Paulo chama o Sumo Sacerdote Ananias de “príncipe”. Quando Antíoco Epifanes IV se engrandeceu contra o príncipe do santuário, ele literalmente fez isto contra o sumo sacerdote Onias III, ao enviá-lo ao exílio e, mais tarde, mandou matá-lo da maneira mais cruel.

c) Daniel 8:11 e 12 – “...e lhe tirou o holocausto contínuo, e o lugar do seu santuário foi deitado abaixo. ...lançou a verdade por terra;...” O historiador Flávio Josefo escreveu o seguinte a esse respeito: “E para cúmulo da maldade proibiu aos judeus de oferecer a Deus os sacrifícios ordinários.... Mandou também construir um altar no templo e lá fez sacrificar porcos,... Obrigou então os judeus a renunciarem ao culto do verdadeiro Deus. ...Mandava queimar todos os livros das Sagradas Escrituras e não perdoava a um só de todos aqueles em cujas casas os encontrava.” História dos Hebreus p. 287.

d) Daniel 8:25 – “...mas será quebrado sem intervir mão de homem”. A história nos confirma que Antíoco Epifanes IV saiu de cena por motivo de uma doença incurável (ver I Macabeus 6:1-13).


IV – PERÍODO DE PROFANAÇÃO DO SANTUÁRIO TERRESTRE

O período de profanação do Santuário durou literalmente 1.150 dias. O texto de Daniel 8:14 não fala em 2300 dias, mas em 2300 tardes e manhãs. Os termos “tardes (“erev” em hebraico) e manhãs (“boker” em hebraico) não significam exclusivamente um dia de 24 horas. Os mesmos termos em hebraico também estão associados ao sacrifício diário da “tarde” (erev) e do sacrifício diário da manhã (boker). Exemplos: I Crônicas 16:40; II Crônicas 13:11 e muitos outros textos bíblicos. O importante a destacar é que todo o capítulo 8 de Daniel está relacionado com o Santuário terrestre. Até os animais mencionados têm relação com as atividades do Santuário. As 2300 tardes e manhãs, pelo contexto, estão relacionadas com os sacrifícios diários do templo. Esta atividade diária também é denominada de “holocausto contínuo” (Daniel 8:13; Êxodo 29:38-42).

No Santuário eram realizados 2 (dois) sacrifícios diários, um de manhã e outro à tarde. Para sabermos a quantidade de dias, basta dividirmos 2300 sacrifícios por 2, cujo resultado dá 1.150 dias literais. O início da contagem dos 1.150 dias deu-se com o decreto emitido por Antíoco Epifanes IV, descrito em I Macabeus 1:41, que ocorreu em 25 de outubro de 168 a.C, data esta confirmada pela história por Braley “A Negleted Era”. Em seguida ocorreu a invasão e profanação do Santuário em 15 de Quisleu de 145 (ano selêucida), que corresponde a 10 de dezembro de 168 a.C. do calendário Juliano, conforme registrado por Judas Macabeus em I Macabeus 1:37-54, com a introdução da abominação desoladora sobre o altar dos holocaustos, ou seja, a ereção do altar do deus pagão Zeus ou Júpiter. Em 25 de Quisleu de 148 (ano selêucida), que corresponde a 20 de dezembro de 165.a.C. do calendário Juliano, o templo foi purificado e reedificado ao Senhor por Judas Macabeus, conforme I Macabeus 1:54.

O dia 25 de Quisleu é anualmente comemorado pelo povo judeu e é conhecido como “Festa de Dedicação” (ver João 10:22). Neste estudo o livro de Macabeus está sendo mencionado apenas para relatar um fato histórico e não para defender uma questão teológica.

Com base nesta profecia, o seu cumprimento ocorreria no tempo do fim (Daniel 8:17, 19 e 26). Como todo o contexto de Daniel 8 refere-se à ascensão e queda do império greco-macedônico, indubitavelmente o tempo do fim ali mencionado refere-se ao fim do Império Grego, quando ocorreu a queda da primeira das quatro dinastias, a da Macedônia, em 168 a.C.. A profecia requer que, “no fim do reinado deles, ...levantar-se-á um rei, feroz de semblante...” Daniel 8:23. A história confirma este fato, pois em 175 a.C., no tempo do fim do Império Grego, levantou-se Antíoco Epifanes IV, um rei sanguinário da dinastia dos selêucidas.


V – ESTA PROFECIA É UM DILEMA PARA ALGUNS SEGMENTOS RELIGIOSOS

Uma ala do cristianismo comete graves equívocos por não interpretar corretamente a profecia de Daniel 8:

a) Grave equívoco é associar a purificação do Santuário de que trata Daniel 8:14 com os serviços do dia da expiação de Levítico 16.

Não há como associar estes dois fatos, pois Daniel 8:9-12 relata que parte do exército “foi lançado por terra e pisado” e “o contínuo sacrifício foi tirado” por um poder assolador representado na profecia pela ponta pequena. Necessariamente há de se admitir a ocorrência de uma agressão e ao mesmo tempo uma profanação ao Santuário terrestre. Tais assolações não podem ser relacionadas com os serviços solenes realizados no dia da expiação de Levítico 16. A purificação do dia 10 do sétimo mês referia-se aos pecados do povo de Israel, acumulados durante o ano.

O dia da expiação tinha a finalidade exclusiva de purificar e remover os pecados confessados pelo povo de Deus do santuário. Já a purificação do santuário em Daniel 8 tinha a finalidade de restabelecer as atividades normais do Santuário terrestre, as quais estavam interrompidas por causa da violenta agressão e profanação praticadas pelo chifre pequeno (Antíoco Epifanes IV), que saiu de uma das quatro dinastias do império grego.

b) Grave equívoco é ensinar que o Santuário de que trata Daniel 8:14 seja o Santuário celestial.

Em obediência ao que trata o contexto de Daniel 8, o “holocausto contínuo” seria retirado do povo judeu por causa das suas transgressões, durante a vigência do antigo sistema levítico ou araônico (Daniel 8:11 e 12). A profecia, portanto, aponta diretamente para o povo judeu e seu Santuário terrestre, e que este seria purificado depois das 2300 tardes e manhãs (Daniel 8:14). A conclusão é que em nenhum momento esta profecia aponta para o Santuário celestial.


VI - CONCLUSÃO

A visão apresentada ao profeta Daniel no capítulo 8 foi colocada de forma inteligível e clara pelo anjo Gabriel e a mesma foi totalmente compreendida pelo profeta Daniel. Muitos tentam desqualificar o trabalho do anjo Gabriel e a sabedoria de Daniel, ao dizerem que o profeta Daniel não entendeu a visão. A ordem que o anjo Gabriel recebeu foi a seguinte: “Faze que este homem entenda a visão”. É muito grave lançar descrédito ao trabalho realizado pelo anjo Gabriel e a capacidade intelectual do profeta Daniel. O texto de Daniel 8:27 diz que, quanto à visão, “não havia quem a entendesse”. Não significa que Daniel não tivesse entendido, mas que não havia entre os que estavam com ele quem entendesse essa visão. Muitos grandes teólogos esquecem que “Daniel era entendido em todas as visões e todos os sonhos.” (Daniel 1:17).

A profecia de Daniel 8, com todos os seus desdobramentos, cumpriu-se plenamente na época determinada em seus mínimos detalhes. O ataque praticado por Antíoco Epifanes IV contra o povo de Deus foi o pior de todos os ataques de inimigos sofridos até então. Poder-se-ia dizer, inclusive, que este feroz ataque foi o que esteve mais perto de extirpar completamente a fé judaica.

Para os que desejam obter maiores detalhes, há um estudo postado neste site sob o título: “As 2300 tardes e manhãs e a purificação do Santuário”.




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